Aquele bilhete significava que não a veria mais, ela havia mudado tanto, havia ganhado peso, o que foi ótimo pra ela, estava mais corada, parecia mais feliz, mais feliz sem mim.
Levanto, pego o violão e a música transpira por mim:
"Alma, deixa eu ver sua alma, a epiderme da alma, superfície.
Alma, deixa eu tocar sua alma, com a superfície da palma da minha mão, superfície."
Sou interrompida pelo telefone, meu coração dispara:
-Alô, Jany, é a Andrea, estou tentando dormir, será que dá pra parar com essa fossa aí em baixo, ou pelo menos esperar até amanhecer?
Era Andrea, minha vizinha do andar de cima.
-Claro, desculpe Andrea...
Ela desliga, então me dou conta de quão ridícula estou sendo, a Alma não vai voltar, eu preciso superar isso.
As 10:12hs o telefone toca, é o Paulinho:
-Olá, tem ensaio hoje, faremos um show na quarta-feira, tudo bem pra você?
Paro por um momento, tentando me lembrar que dia é hoje, me recordo que ainda é segunda-feira.
-Tudo bem Pauinho, que horas é o ensaio?
-As 16:00hs, vê se não fode tudo, chega no horário, pelo menos hoje. Ele desliga.
Que mania desse povo de desligar na minha cara, Andrea, Paulinho, mas que gente mais sem paciência!
Olho no relógio, 14:37hs, mas que droga, tenho que me arrumar, não quero chegar atrasada.
A 16:10hs chego no estúdio, todos me olham com cara de bosta, já estou acostumada.
A banda se chama Acento Agúdo é formada por cinco integrantes:
Paulinho => Guitarra.
Ramon => Bateria.
Pablo => Teclado.
Junior => Baixo.
Jany => Vocal.
O ensaio acaba, nós já temos um repertório para quarta-feira, vamos tocar no Bella's Clube, uma casa que está reabrindo após três meses de reforma, eles insistiram muito pra que nós tocássemos lá, pelo visto, nossa banda ainda tem marketing.
São 18:53hs, preciso colocar algo no estômago, decido ir encontrar meu pai.
Vou caminhando São Paulo afora, enquanto penso no que fazer da minha vida... Nenhuma conclusão.
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