domingo, 17 de novembro de 2013

A morte de Ofélia.

Acordei, olhei para os lados, procurando saber aonde eu estava, tinha uma pessoa deitada ao meu lado, alguém que eu nunca havia visto antes, porra mano, de novo não! Levantei fazendo o mínimo de barulho possível, peguei minha calça jeans que estava jogada no chão e fui pro banheiro.
Caralho, onde eu estou? Me olhava no espelho, incrédula comigo mesma, eu tinha que parar com isso, a minha vida já era uma bosta, transar com desconhecidos não ajudava em nada.
-Bom dia lindinha... A menina me chamou de que? Porra, dá vontade de nem responder.
-Bom dia, viu meus óculos por aí? Digo secamente.
-Não, mas vou procurar pra você, vamos tomar café? 
Vou até a sala, aonde encontro meus óculos, jogados embaixo da mesinha de centro, era um apartamento gigantesco, essa mina tem dinheiro, pensei. Haviam muitos quadros pendurados, mas dentre todos, um me chamou atenção:


-Você gostou lindinha? É o meu preferido, uma réplica perfeita da obra "A morte de Ofélia", do pintor Sir John Everett Millais, muitos artistas ficaram admirados pela personagem Ofélia em Hamlet, a moça foi retratada diversas vezes, Shakespeare ficaria orgulhoso. Ela disse sorrindo.
A garota com quem passei a noite era muito bonita, confesso, mas eu só conseguia olhar para o quadro, fixou-se em minha mente, Ofélia parecia ter morrido de uma mal terrível, algo relacionado ao coração, talvez, de tanto amar, me coloquei no lugar dela, eu queria morrer assim.
-Preciso ir, digo enquanto roubo uma maçã da fruteira.
Saio rapidamente pela porta e escuto os passos dela atrás de mim, aperto o botão do elevador que, pra minha sorte, estava parado no mesmo andar, a porta se abre e ela só tem tempo de dizer três palavras:
-Jany... Me liga. Ela sorri, a porta se fecha, sinto um alívio, eu nunca vou ligar pra essa garota, não sei nem seu nome, imagina o número de telefone.



Chegando no térreo, vejo o porteiro que me sorri alegremente, vendo a disposição de ajudar em seus olhos, pergunto:
-Amigo, bom dia, que bairro é esse?
Ele sorri, animado, -Aqui é o bairro do Limão, moça.
Ufa! Eu sei voltar pra casa.
No caminho, só consigo pensar nela, como ela pode não se importar comigo? Nunca vi uma alma tão desalmada! Penso, o trocadilho é ruim, eu dou risada de mim mesma.
Abro a porta com preguiça de voltar pra mesmice de casa, mas que merda é essa? Minha casa está arrumada, pratos limpos, o chão brilhando, um cheiro de limpeza que eu não sentia a dez meses, ela se importa, ela realmente se importa comigo, eu não consigo tirar o sorriso bobo da cara. 
Vou verificar os livros na estante. ela levou todos, vou para o quarto e verifico o guarda-roupas, não sobrou nenhum vestido dela, enfim, encontro um bilhete em cima da cama:
"Obrigada por cuidar dos meus livros, em troca arrumei a zona que estava isso aqui, seja feliz Jany. Alma."




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