sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Na casa de meu pai.

"O quanto eu te falei que isso vai mudar, motivo eu nunca dei... Falar do que foi pra você, não vai me livrar de viver... Quem é mais sentimental que eu? Eu disse e nem assim se pôde evitar... No abismo que é pensar e sentir... Ela é mais sentimental que eu, então fica bem se eu sofro um pouco mais... Eu só aceito a condição de ter você só pra mim, eu sei não é assim, mas deixa eu fingir."
-Quem está cantando isso pai?
-"Los Hermanos", Jany você deve se inteirar da cultura do rock nacional, não aquela bagunça que você faz no palco. 

Meu pai é foda cara, ele é o melhor, consequentemente, é o cara mais chato de se conviver, é impossível passar cinco minutos ao lado dele e não receber uma crítica.
-O Senhor sabe que eu estou aqui só porque a sua comida é maravilhosa, não sabe?
-E que outro motivo teria? Veio buscar conselhos sobre relacionamentos? Sobre a vida? Ou sobre o trabalho?
-A Alma me deixou. Abaixo a cabeça, mostrando sentimento de culpa.
-Eu já imaginava, quem sabe agora você cai, bate a cabeça e arruma um macho.
-Quanta delicadeza Sr. Ezequiel.
-Aquela garota era muito estranha Jany, eu não sei como você suportou ela por tanto tempo.
-Amor? Eu deixo perceptível minha dúvida quando digo a palavra.
Meu pai se cala e enche a boca de alface.
-Amor? Ele retruca.
Eu me calo e encho minha boca de alface. Ele levanta e abre aquele Whisky Johnnie Walker, que já tem cara de depressão.
-Servida? Ele me pergunta com um sorriso de quem pensa no bordão: Macaco quer banana?
-Porque não estaria?
Saio da casa de meu pai trocando as pernas, decido ir pra casa, fazer sei lá o que.



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